Arte poética...
- cris campos
- 31 de ago. de 2018
- 1 min de leitura

A poesia do abstracto? Talvez. Mas um pouco de calor, A exaltação de cada momento, É melhor. Quando sopra o vento Há um corpo na lufada; Quando o fogo alteou A primeira fogueira, Apagando-se fica alguma coisa queimada. É melhor! Uma ideia, Só como sangue de problema; No mais, não, Não me interessa. Uma ideia Vale como promessa, E prometer é arquear A grande flecha. O flanco das coisas só sangrando me comove, E uma pergunta é dolorida Quando abre brecha. Abstracto! O abstracto é sempre redução, Secura. Perde; E diante de mim o mar que se levanta é verde: Molha e amplia. Por isso, não: Nem o abstracto nem o concreto São propriamente poesia. A poesia é outra coisa. Poesia e abstracto, não.
Vitorino Nemésio
in O Bicho Harmonioso
na vitrola...





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